18/09/16

"Geração A" - Douglas Coupland


Geração AMy rating: 4 of 5 stars

Oitavo livro que leio de D. Coupland (o escritor de quem mais obras li). Os dois primeiros romances, “Geração X” e “Inforscravos”, fazem parte, ainda hoje, da lista “os livros que mais gozo me deram a ler”.

As suas estórias são rocambolescas e muito, muito atuais. Nelas, abundam figuras que se arrastam num mundo hi-tech de ”fast-food" e Internet e Ikea e Lego e celebridades vácuas; e consumo, consumo e mais consumo (com algum existencialismo); e marcas e mais marcas; e coisas, e objetos, e mais marcas de coisas e de objetos.
Tudo isto pode parecer gratuito ou uma mera provocação pós-moderna, mas a verdade é que Coupland retrata a sociedade materialista e consumista americana de um modo que, de início, me encantou e que, vinte anos depois, ainda continua a fazer nascer finos sorrisos de prazer-na-leitura.

Em ”Geração A", Coupland apresenta-nos um mundo distópico, onde as abelhas foram extintas, com o consequente “crise de polinização” que trouxe inúmeros problemas alimentares (a fruta, por exemplo, é um bem raro…). Logo no início da obra, cinco personagens são picadas em partes diferentes do planeta (EUA, Canadá, Sri Lanka, França e Nova Zelândia). Na sequência, são levados para um Centro de Pesquisas, a fim de serem cobaia de testes para determinar a causa das picadelas.
Há uma nova droga, o Solon, que cria, em quem a consome, uma vontade de estar só, uma espécie de disposição antissocial… as picadelas tornam-se, afinal, no primeiro passo para o fim do Solon (solidão/individualismo vs sociabilidade). É uma imagem, um símbolo, para um mundo que o autor considera estar a desagregar-se.
"Geração A" talvez queira ser uma chamada de atenção - o mundo está à beira da desagração e há pessoas mesmo ao nosso lado, enquanto nos isolamos em territórios e espaços quer digitais quer analógicos.

Tenho para mim que D. Coupland é uma espécie de mix de pop art + beat generation. Não sei bem explicar porquê.

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