15/12/14

pétalas

gosto de contemplar flores. têm beleza!
gosto de rosas... as rosas, no entanto, têm espinhos.
os espinhos picam. o sangue cai. escorre, devagar... como pétalas de rosa.




1 + 6 = 7

hoje vi-te. quis depois rever-te, sem formalismos. restou-me o silêncio. 
dizes que queres, mas não podes. eu quero sempre. eu posso sempre. 
partilhamos um desejo desencontrado. 
seis dias a desejar um dia. quem mo dera sempre eterno... 
mora em mim um buraco. haverá nele um lugar para ti sempre ausente?


@ antónio alves
figueira da foz, 15.12.12

14/12/14

inverno

no inverno chegam as nuvens, que cobrem o azul do céu. o sol amornece. por vezes chove: a natureza derrama sobre nós um choro líquido, frio, triste.
detesto o inverno.


© antónio alves
figueira da foz, novembro 2014


you, my love

there's light and shadow in love.
you are my light. you are my shadow.
i love you, my light. i hate you, my shadow.



© antónio alves
coimbra, novembro 2014

11/12/14

antónio variações - canção do engate



Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos

Tu estás só e eu mais só estou
Tu que tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta

Vem que amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás

Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia

Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém

E eu sou melhor que nada

09/12/14

2 ou 3

"estamos frente a frente na varanda que talvez não exista.
mas que importam as gramáticas do abismo quando duas ou três palavras se aproximam para conjugar a evidência de um verbo."
O Nome das Árvores, Rui Miguel Fragas


 © antónio alves
coimbra, 08.12.14

05/12/14

lume, cinza, flores e palavras

no interior das coisas luminosas nasce cedo a cinza quando o lume é mais intenso. e de um lume maior a cinza não fecunda mais.

não te ofereço mais flores.

(...)
uma só palavra pode ruir os alicerces de um livro. porque também as palavras sufocam as palavras; e é mais funda a ferida quando a sombra duplica.

não te ofereço mais palavras.
O Nome das Árvores, Rui Miguel Fragas



© antónio alves
figueira da foz, dezembro 2014

30/11/14

grey / black

grey is the new black.
...
my sun is cloudy. i have a dark day.


© antónio alves
figueira da foz, novembro 2014


18/11/14

às vezes

"Às vezes penso em ti como quem habita ao longe um lugar perto da tua alma. (...)
Às vezes penso em ti como quem espera por ti enquanto caminhas por uma rua distante. (...)
Às vezes penso em ti como quem procura o teu rosto nas paredes vazias de um quarto. (...)
Às vezes penso em ti como quem desenha uma casa para guardar o coração."

O Nome das Árvores, Rui Miguel Fragas