04/12/16

"coisas de adornar paredes" - josé aguiar

Coisas de Adornar Paredes by Jose Aguiar
My rating: 4 of 5 stars

Coisas de Adornar Paredes

15º vol. da coleção "romance gráfica brasileiro", editada pela Polvo.

José Aguiar é desenhador, argumentistas e editor. é, também, um dos criadores da "Cena HQ", um projeto onde se adaptam/leem/representam histórias aos quadradinhos (HQ) no palco de teatro.
já recebeu alguns prémios pelo seu trabalho.

este livro conta a estória de um autor de HQ, (personagem/meta-autor) que temporariamente trabalha numa fábrica de azulejos. nas pausas laborais, troca impressões com dois colegas sobre as estórias que desenhou. ao longo da obra, há, pois, 2 linhas narrativas: as pequenas estórias (sobre coisas que adornam paredes) encaixam na história principal do livro, que é a sua tentativa de arranjar um editor para essas estórias
em todas essas pequenas estórias, há um tema comum: as paredes e as "coisas" que nelas as pessoas colocam - desde os tempos das cavernas, o homem pinta "coisas" nas paredes ou pendura nelas quadros/fotografias/imagens-de-santos, não só para "marcar território", mas também para enfrentar o Tempo)

quanto à parte gráfica, gostei:
. do cuidado posto na escolha do enquadramento e ângulo
. do desenho meio estilizado
. de não haver limites nas vinhetas (o que cria, por vezes, sobreposições pictóricas inusitadas, mas muito agradáveis)
. das composições/vinhetas que ocupam uma página inteira

uma leitura/visualização muito agradável


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22/11/16

HUMAN - Yann Arthus-Bertrand



What is it that makes us human? Is it that we love, that we fight ? That we laugh ? Cry ? Our curiosity ? The quest for discovery ? 
Driven by these questions, filmmaker and artist Yann Arthus-Bertrand spent three years collecting real-life stories from 2,000 women and men in 60 countries. Working with a dedicated team of translators, journalists and cameramen, Yann captures deeply personal and emotional accounts of topics that unite us all; struggles with poverty, war, homophobia, and the future of our planet mixed with moments of love and happiness.


In order to share this unique image bank everywhere and for everyone,


HUMAN exist in several versions : 

A theatre version (3h11) , a tv version (2h11) and a 3 volumes version for the web

CONTACTS

Office Yann Arthus-Bertrand : Yann2@yab.fr

Project manager: jessica@human-themovie.org
Head of international screenings and distribution : lara@human-themovie.org
French events and non-commercial distribution : event@human-themovie.org

Official website HUMAN : http://www.human-themovie.org 

For further contents, visit http://g.co/humanthemovie

Enjoy and share #WhatMakesUsHUMAN


26/10/16

O Buda dos Subúrbios - Hanif Kureishi

O Buda dos Subúrbios
My rating: 5 of 5 stars

O herói do primeiro romance de Hanif Kureishi é Karim, um adolescente-jovem-adulto sonhador, desesperado por abandonar os subúrbios do sul de Londres e experimentar os frutos proibidos que a época de finais de 1970 tinha para oferecer em Inglaterra (o fim dos hippies, o aparecimento do punk e da new wave, a liberdade da experimentação de estilos de vida alternativos - em termos sexuais e sociais...). É a estória do seu percurso desde os subúrbios de Londres (o anonimato) até ao centro da cidade, em paralelo com uma ascensão social e, sobretudo, cultural (torna-se num conhecido ator de teatro, chegando a representar em Nova Iorque).

Não me vou pôr a spoilar em demasia. Prefiro, antes, referir o quanto me agradou a leitura deste romance.
É o 4º livro que leio de H. Kureishi (pai paquistanês e mãe inglesa - tal como a personagem principal que é tb o narrador). Este foi, no entanto, o que mais gozo me deu a ler. Quero mais!

Algumas opiniões alheias sobre esta obra (com as quais concordo em pleno, porque a definem bem):
. «Altamente irreverente, mas também genuinamente emocionante e verdadeiro. E muito, muito divertido.» (Salman Rushdie)
. «Um romance maravilhoso. Duvido que vá ler um com mais humor, ou com mais coração, este ano, ou mesmo possivelmente nesta década.» (Angela Carter, Guardian)
. «Um romance perversamente divertido.» (New York Times)
. «Genialmente divertido. Um romance revigorante, anárquico e deliciosamente livre.» (Sunday Times)
.«Uma voz distinta e talentosa — jovial, inteligente, viva e pungente.» (Hermione Lee, Independent)
(retirado da contracapa)

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16/10/16

Shifted - For Closure [2016]

música do dia:




"Uma Dor Tão Desigual" - coletânea de contos


Uma Dor Tão Desigual (contos)
My rating: 4 of 5 stars

Li um conto por dia.

Gostei do conceito: livro que resulta de um desafio feito a vários autores portugueses para que explorassem as fronteiras que definem a saúde mental e o que dela nos afasta.

Gostei do resultado: em estilos muito diferentes, oito escritores brindam-nos com textos que mostram como qualquer um de nós pode viver momentos difíceis, com consequentes dores psicológicas. Uma coletânea de estórias de perda, solidão, fraqueza e delírio, mas também de esperança e humanidade. São relatos de gente que podíamos conhecer e talvez conheçamos…

1. Síndrome de Diógenes - Afonso Cruz (3*)
A estória de Abdul-Rahman, que “recolhia das ruas tudo o que era objeto sem interesse, sem propósito, aquilo a que chamamos lixo…”, inventando depois estórias para cada um dos objetos recolhidos. Pelo meio, algumas reflexões filosóficas e alusões a obras literárias.
Não gostei tanto da escrita como da dos magníficos “Para onde vão os guarda-chuvas” ou “Vamos comprar um poeta”.

2. A Outra Metade - Dulce Maria Cardoso (4*)
A narradora conta-nos a estória do seu amigo, apaixonado por Luís, um obeso que conseguiu reduzir o seu peso para metade, mas que era “pago para se exibir na Internet em sites gay”, embora tivesse “um casamento feliz”.
Não conhecia a autora. A sua escrita foi uma agradável descoberta.

3. Josef - Goncaço M. Tavares (4*)
A estória de Josef, o esquizofrénico, contada numa escrita surrealista que tão bem espelha a confusão/agitação/não-linearidade do espaço interior da personagem.
Gostei da escrita de G.M.Tavares neste conto. O mesmo não posso dizer de “Uma menina está perdida neste século à procura do seu pai”, o único livro que li dele. Há qualquer coisa de kafkiano na escrita deste autor (digo eu…)

4. Jaca - Joel Neto (5*)
A estória de Rui e dos seus “desentendimentos” familiares, num jantar de Natal.
Primeiro contacto com a escrita de Joel Neto. Uma agradável (agradabilíssima) surpresa. Gostei do ritmo da narrativa, da sensibilidade do narrador e da prosa poética qb.
Aqui no GR não falta quem apregoe o quão bons são os seus livros. Depois deste conto, vou, certamente, querer ler outros textos deste autor.

5. Chameada de Pássaros - Maria Teresa Horta (3*)
70 % prosa poética + 30 % de poesia narrativa.
A estória de Marta, que engravidou sem saber ao certo se foi, de facto, para a cama com o pai da criança ou se imaginou essa ida (terá sido com um Anjo?). A depressão profunda e douradoura de que sofre fá-la desinteressar-se pela filha, Cassandra, a criança que tudo faz para ser amada pela mãe e que, no final, se transforma num bando de pássaros (pelo menos é assim que a veem os alucinados olhos maternos…)
Gostei da irreverência formal do texto. Não gostei do estilo: demasiado poético! (Reconheço, no entanto, mérito e competência literária à autora).

6. Jogo Honesto - Nuno Camarneiro (5*)
A estória de um homem que, aos 39 anos, viu terminado o seu casamento - a mulher deixou-o, abruptamente, sem que nada o fizesse prever. Cai numa profunda depressão e, como trabalha num laboratório, consegue desenvolver uma técnica para produzir um comprimido de cianeto igualzinho aos da aspirina. Acaba por suicidar-se.
Outra agradável surpresa. Não tinha lido nada deste autor. Quero conhecer melhor a sua obra.

7. Da Impossibilidade de ser livre - Patrícia Reis (4*)
A estória de uma mulher que se sente terrivelmente perdida, depois de ter sido abandonada pelo marido. Ao fim de 25 anos de casamento, não consegue adaptar-se à sua nova “vida”, sem o marido e com dois filhos adolescentes. No final, ele regressa a casa, depois de uma ausência de quase quatro meses. O texto é a narração, na primeira pessoa, da conversa com a psicóloga, nas quatro consultas que teve durante o tempo em que o marido esteve fora de casa.
Não conhecia a autora. Nunca lera nada dela. Gostei do estilo da sua prosa.

8. Ela só tinha uma oportunidade - Richard Zimler (4*)
O conto mais comprido desta coletânea é o do escritor norte-americano naturalizado português R. Zimler. Narra a estória de Benni, que, com 75 anos e depois da morte da esposa, se fecha em casa para não ter de se relacionar com ninguém (agorafobia? depressão?) O narrador - o seu filho - acaba por nos revelar como foi a vida do seu pai nos guetos de Varsóvia, durante a ocupação Nazi da Polónia.
A prosa é simples e agradável. A leitura é fácil. (Mais) um autor a conhecer melhor.

Conclusão: é tãooo bom descobrir novos autores e ficar com vontade de os conhecer melhor! :)

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