24/12/16

"Mas é Bonito" - Geoff Dyer

Mas é Bonito by Geoff Dyer
My rating: 4 of 5 stars

Mas é Bonito

A partir da música de alguns dos maiores músicos de jazz (Charles Mingus, Thelonious Monk, Bud Powell, Art Pepper, Chet Baker, entre outros), e a partir de fotografias de músicos e formações, Geoff Dyer improvisa e ficciona oito pequenas histórias que funcionam, em conjunto, como um romance. Segundo o autor, a obra resulta, assim, da mistura factos reais e ficção.

A escrita de Dyer é uma espécie de “jam session” de estímulos visuais, auditivos e registos biográficos. Foram escolhidos alguns dos mais famosos instrumentistas do jazz (o livro não trata de cantores - embora tb apareça Billie Holiday) e alguns pequenos episódios das suas vidas são ora abordados com honestidade, ora respeitosamente inventados em pequenos textos cheios de lirismo, amor ao jazz e competência literária.

São oito pequenas histórias, contadas em "zapping", que mostram, num estilo muitas vezes poético e subjetivo, os retratos de alguns gigantes do jazz e das suas vidas (mais ou menos) extasiantes, atormentadas, trágicas…

"Se depois de ler umas páginas não tiver curiosidade de escutar os protagonistas no seu habitat natural é porque algo não está bem."


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04/12/16

"coisas de adornar paredes" - josé aguiar

Coisas de Adornar Paredes by Jose Aguiar
My rating: 4 of 5 stars

Coisas de Adornar Paredes

15º vol. da coleção "romance gráfica brasileiro", editada pela Polvo.

José Aguiar é desenhador, argumentistas e editor. é, também, um dos criadores da "Cena HQ", um projeto onde se adaptam/leem/representam histórias aos quadradinhos (HQ) no palco de teatro.
já recebeu alguns prémios pelo seu trabalho.

este livro conta a estória de um autor de HQ, (personagem/meta-autor) que temporariamente trabalha numa fábrica de azulejos. nas pausas laborais, troca impressões com dois colegas sobre as estórias que desenhou. ao longo da obra, há, pois, 2 linhas narrativas: as pequenas estórias (sobre coisas que adornam paredes) encaixam na história principal do livro, que é a sua tentativa de arranjar um editor para essas estórias
em todas essas pequenas estórias, há um tema comum: as paredes e as "coisas" que nelas as pessoas colocam - desde os tempos das cavernas, o homem pinta "coisas" nas paredes ou pendura nelas quadros/fotografias/imagens-de-santos, não só para "marcar território", mas também para enfrentar o Tempo)

quanto à parte gráfica, gostei:
. do cuidado posto na escolha do enquadramento e ângulo
. do desenho meio estilizado
. de não haver limites nas vinhetas (o que cria, por vezes, sobreposições pictóricas inusitadas, mas muito agradáveis)
. das composições/vinhetas que ocupam uma página inteira

uma leitura/visualização muito agradável


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26/10/16

O Buda dos Subúrbios - Hanif Kureishi

O Buda dos Subúrbios
My rating: 5 of 5 stars

O herói do primeiro romance de Hanif Kureishi é Karim, um adolescente-jovem-adulto sonhador, desesperado por abandonar os subúrbios do sul de Londres e experimentar os frutos proibidos que a época de finais de 1970 tinha para oferecer em Inglaterra (o fim dos hippies, o aparecimento do punk e da new wave, a liberdade da experimentação de estilos de vida alternativos - em termos sexuais e sociais...). É a estória do seu percurso desde os subúrbios de Londres (o anonimato) até ao centro da cidade, em paralelo com uma ascensão social e, sobretudo, cultural (torna-se num conhecido ator de teatro, chegando a representar em Nova Iorque).

Não me vou pôr a spoilar em demasia. Prefiro, antes, referir o quanto me agradou a leitura deste romance.
É o 4º livro que leio de H. Kureishi (pai paquistanês e mãe inglesa - tal como a personagem principal que é tb o narrador). Este foi, no entanto, o que mais gozo me deu a ler. Quero mais!

Algumas opiniões alheias sobre esta obra (com as quais concordo em pleno, porque a definem bem):
. «Altamente irreverente, mas também genuinamente emocionante e verdadeiro. E muito, muito divertido.» (Salman Rushdie)
. «Um romance maravilhoso. Duvido que vá ler um com mais humor, ou com mais coração, este ano, ou mesmo possivelmente nesta década.» (Angela Carter, Guardian)
. «Um romance perversamente divertido.» (New York Times)
. «Genialmente divertido. Um romance revigorante, anárquico e deliciosamente livre.» (Sunday Times)
.«Uma voz distinta e talentosa — jovial, inteligente, viva e pungente.» (Hermione Lee, Independent)
(retirado da contracapa)

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