17/10/26

Soli Deo Gloria: quando a BD se torna arte


Há livros que se leem e há livros que se contemplam. 

Soli Deo Gloria, de Jean-Christophe Deveney e Édouard Cour, pertence às duas categorias.



A primeira coisa a saber é que esta não é apenas uma BD de época sobre músicos.

É uma obra que procura transformar a própria música numa experiência visual e narrativa. 

A intriga é construída com inteligência e sensibilidade, envolvendo-nos numa história onde a música, o talento, a ambição e a condição humana se entrelaçam de forma admirável. 

Mas é no desenho que a obra atinge uma dimensão verdadeiramente excecional. A mistura magistral do preto e branco com a cor não se limita a ilustrar a narrativa: desenha a própria música, transforma sons em imagens e dá forma visual ao que, por natureza, não se vê.




Gostei bastante do argumento, mas é a extraordinária simbiose entre a narrativa e a arte gráfica que eleva esta obra a outro patamar. 

É uma BD para ler devagar, observar e interpretar. O seu interesse está tanto na história dos dois gémeos como na maneira como transforma a música, a fé e a fragilidade humana em linguagem visual.

Não estamos apenas perante uma excelente banda desenhada; estamos perante uma verdadeira obra de arte da BD europeia deste século.

A edição original francesa, publicada pela Dupuis, venceu o Prix BD Fnac France Inter 2026, um importante prémio francês de banda desenhada.


Soli Deo Gloria
Argumento: Jean-Christophe Deveney
Desenho: Édouard Cour
Tradução: Maria José Magalhães e Paula Caetano
280 páginas. Cor
Cartonado. 235 x 310 mm
Julho de 2026. Ala dos Livros
PVP: 37,50 €
ISBN: 978-989-9363-03-8

5*


05/10/26

"Blast" - Edição Integral 2/2


Blast

Edição Integral 2/2





  • Autor - Manu Larcenet
  • Editor - Ala dos Livros
  • Data de lançamento - setembro 2026

Na versão portuguesa, em 2 vol., são 816 páginas do que me parece uma obra-prima absoluta da banda desenhada contemporânea.

Este segundo volume encerra a jornada de Polza Mancini de forma avassaladora e trágica, com o mistério do interrogatório policial a terminar com um inesperado murro no estômago.

Graficamente, o livro é de uma mestria fora do comum. O traço a preto e branco (e ocasionalmente a cores,) que mistura várias técnicas de composição (desenho, colagens, tiras de BD de jornais...) é visceral na forma como desenha a solidão, o peso dos corpos e a decadência. 

E depois há a gestão dos silêncios, do ritmo e as fabulosas explosões visuais do "Blast", puras e perturbadoras representações de iluminação e transe que tão bem são passadas para o papel.

A escrita é brutal, sem concessões, mas de uma enorme sensibilidade poética. Larcenet consegue a proeza de nos manter agarrados à mente complexa, incómoda e fascinante de Polza até à última página, culminando num desfecho que ecoa na cabeça muito depois de fechar o livro.
Não é uma leitura fácil, mas é BD ao seu mais alto nível.

Imperdível para quem gosta de BD como forma de arte! 

5*

20/08/26

Wood & Stock: Sex, Oregano and Rock’n’Roll



Um grupo de jovens que curtiu o movimento hippie nos anos 1960, tenta adaptar-se a um mundo cada vez mais individual e consumista. 
 
Agora mais velhos, Wood, Stock, Lady Jane, Rê Bordosa, Rampal, Nanico e MeiaOito enfrentam muitas dificuldades e decidem ressuscitar a velha banda de rock'n'roll. 

ANO: 2006 
PAÍS: Brasil 
CLASSIFICAÇÃO: 16 anos 
DIREÇÃO: Otto Guerra 
ROTEIRO: Rodrigo John

 


Baseado na BD de Angeli

mais vistos da semana