Há livros que se leem e há livros que se contemplam.
Soli Deo Gloria, de Jean-Christophe Deveney e Édouard Cour, pertence às duas categorias.
A primeira coisa a saber é que esta não é apenas uma BD de época sobre músicos.
É uma obra que procura transformar a própria música numa experiência visual e narrativa.
A intriga é construída com inteligência e sensibilidade, envolvendo-nos numa história onde a música, o talento, a ambição e a condição humana se entrelaçam de forma admirável.
Mas é no desenho que a obra atinge uma dimensão verdadeiramente excecional. A mistura magistral do preto e branco com a cor não se limita a ilustrar a narrativa: desenha a própria música, transforma sons em imagens e dá forma visual ao que, por natureza, não se vê.
Gostei bastante do argumento, mas é a extraordinária simbiose entre a narrativa e a arte gráfica que eleva esta obra a outro patamar.
É uma BD para ler devagar, observar e interpretar. O seu interesse está tanto na história dos dois gémeos como na maneira como transforma a música, a fé e a fragilidade humana em linguagem visual.
Não estamos apenas perante uma excelente banda desenhada; estamos perante uma verdadeira obra de arte da BD europeia deste século.
A edição original francesa, publicada pela Dupuis, venceu o Prix BD Fnac France Inter 2026, um importante prémio francês de banda desenhada.
Argumento: Jean-Christophe Deveney
Desenho: Édouard Cour
Tradução: Maria José Magalhães e Paula Caetano
280 páginas. Cor
Cartonado. 235 x 310 mm
Julho de 2026. Ala dos Livros
PVP: 37,50 €
ISBN: 978-989-9363-03-8
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